MAPA - ECIV - MANUTENÇÃO E PATOLOGIA DAS EDIFICAÇÕES
- 53_2026
QUESTÃO 1
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O
condomínio Residencial “Serra Verde”, composto por dois blocos de
quatro pavimentos cada, foi entregue em 2014, em uma cidade do interior do
Paraná. O conjunto foi construído sobre terreno argiloso, com nível d'água
elevado, e as fundações foram executadas com estacas pré-moldadas. Nove anos
após a entrega, moradores do Bloco B começaram a registrar uma série de
ocorrências que, isoladamente, poderiam parecer triviais, mas que, analisadas
em conjunto, apontam para um quadro de degradação multissistêmica da
edificação.
No pavimento térreo do Bloco B, observam-se trincas em 45° nos cantos das
janelas da fachada leste — padrão clássico associado a recalque diferencial de
fundações. Na mesma fachada, manchas esbranquiçadas (eflorescências) e manchas
marrom-avermelhadas se estendem por toda a altura das alvenarias externas,
indicando infiltração ativa e provável corrosão das armaduras das vigas de
baldrame. No subsolo, o piso de concreto apresenta afundamentos localizados de
até 3 cm, com bordas fraturadas. Nos apartamentos dos andares superiores,
relatos de mofo e descolamento de revestimentos cerâmicos completam o
diagnóstico preliminar.
A síndica do condomínio contratou a engenheira civil Fernanda, especialista em
patologia das edificações, para elaborar o laudo técnico e propor as
intervenções necessárias. Ao realizar a anamnese e as vistorias (etapas
previstas na NBR 16.747:2020), a engenheira identificou que o programa de
manutenção preventiva, exigido pela NBR 5.674:2012, nunca havia sido
implantado. O manual de uso, operação e manutenção (NBR 14.037:2011) foi
entregue na ocasião da vistoria de entrega, mas permanecia lacrado. O histórico
de manutenções estava em branco.
Os ensaios preliminares revelaram:
(a) cobrimento insuficiente das armaduras nos pilares do térreo (entre 1,5 e
2,0 cm, abaixo do mínimo de 3,0 cm para ambiente moderado, conforme ABNT NBR
6118:2014);
(b) trincas ativas nas vigas de baldrame com abertura média de 0,35 mm,
superiores ao limite de 0,3 mm estabelecido pela norma para estruturas de
concreto armado;
(c) infiltração por capilaridade nas alvenarias, com ascensão visível até 80 cm
acima do nível do piso. A engenheira concluiu que a ausência de manutenção
preventiva antecipou em pelo menos cinco anos a necessidade de intervenção
corretiva, multiplicando substancialmente os custos de reparo — fenômeno
descrito na literatura técnica como a progressão geométrica do custo de
intervenção ao longo da vida útil da edificação.
Diante desse cenário, cabe a você, estudante de Engenharia Civil, interpretar
tecnicamente as manifestações patológicas identificadas, analisar suas causas e
consequências e propor, de forma fundamentada, as intervenções e o programa de
gestão que deveriam ter sido adotados para preservar o desempenho da edificação
ao longo de sua vida útil de projeto.
EXERCÍCIO - 1
Com base na situação-problema apresentada, responda, de forma dissertativa e
fundamentada no livro da disciplina, aos itens a seguir. Todas as respostas
devem estar redigidas em linguagem técnica e, quando pertinente, com indicação
das normas técnicas aplicáveis.
Item A — Análise das manifestações patológicas das fundações e
umidade.
As trincas em 45° identificadas nos cantos das janelas do Bloco B e as
eflorescências com manchas marrom-avermelhadas nas alvenarias são manifestações
patológicas com causas distintas, porém interligadas. Considerando os conceitos
estudados sobre recalque diferencial de fundações e os mecanismos de umidade e
suas consequências para os sistemas construtivos explique, de forma
integrada:
(I) qual fenômeno de fundação origina o padrão de trincas em 45° e por que essa
inclinação é característica desse tipo de recalque;
(II) como a infiltração e a ascensão por capilaridade contribuem para o
surgimento das eflorescências;
(III) de que forma as trincas nas alvenarias potencializam o processo de
degradação úmida da edificação, correlacionando as manifestações ao quadro
geral de deterioração do Residencial Serra Verde.
Item B — Análise das consequências da corrosão das armaduras.
O laudo técnico de Fernanda identificou cobrimento insuficiente das
armaduras nos pilares do térreo (1,5 a 2,0 cm) e trincas ativas nas vigas de
baldrame com abertura de 0,35 mm. Com base nesses dados e nos conceitos de
patologias de superestruturas e terapia de reparo, analise:
(I) qual o mecanismo físico-químico que leva à corrosão da armadura quando o
cobrimento é insuficiente ou quando há trincas com abertura acima do limite
normativo;
(II) como a progressão dessa corrosão gera o estufamento e o desplacamento do
concreto de cobrimento;
(III) quais são os impactos progressivos dessa manifestação sobre a segurança
estrutural da edificação, considerando os estágios de deterioração descritos no
material didático.
Item C — Tomada de decisão técnica: proposta de intervenção nos
pilares.
A engenheira responsável pelo laudo técnico precisa definir a técnica de reparo
e reforço mais adequada para os pilares do térreo do Bloco B, que apresentam
armaduras corroídas com perda de seção transversal estimada em 12% e concreto
de cobrimento desplacado. Considerando que a estrutura ainda apresenta
capacidade resistente suficiente para ser recuperada (não é necessária
demolição), porém demanda reforço estrutural definitivo, proponha e
justifique tecnicamente:
(I) a sequência executiva de saneamento e recuperação do elemento estrutural
danificado;
(ii) a técnica de reforço estrutural mais indicada para este caso, dentre as
estudadas (encamisamento com concreto armado, perfis metálicos ou fibras de
carbono), com justificativa da escolha; a necessidade ou não de elaboração de
projeto estrutural de reforço com responsabilidade técnica registrada,
fundamentando sua resposta nas normas pertinentes.
EXERCÍCIO - 2
A engenheira Fernanda identificou que um dos pilares do térreo do Bloco B
apresenta corrosão avançada, com perda de seção da armadura principal e
necessidade de encamisamento com concreto armado. Para dimensionar o reforço, é
necessário estimar o custo total da intervenção e verificar se ela se justifica
economicamente em relação ao valor de reposição do elemento estrutural.
Adicionalmente, a engenheira precisa estabelecer as diretrizes do programa de
manutenção preventiva da edificação, com base na NBR 5.674:2012. Adote os dados
a seguir para todos os cálculos:
(a) Custo de reparo do pilar na fase de projeto (C0) = R$ 2.800,00.
(b) A manifestação patológica foi identificada na fase de utilização da
edificação, após 9 anos de uso, sendo esta a fase mais onerosa para
intervenções, conforme a progressão descrita por Sitter (Lei dos Cincos).
(c) Custo unitário de manutenção preventiva do sistema estrutural: R$
850,00/ano por pavimento.
(d) A edificação possui quatro pavimentos e vida útil de projeto de 50
anos (NBR 15.575:2021).
(e) A taxa de juros de referência para análise de viabilidade econômica da
manutenção é de 8% a.a. (juros simples para fins didáticos).
Item A — Custo de Intervenção pela Lei dos Cincos (Sitter)
Com base no conceito da Lei dos Cincos (Lei de Sitter), segundo a qual o custo
de intervenção cresce em progressão geométrica de razão 5 a cada fase
subsequente do ciclo de vida da edificação (Projeto → Execução → Uso →
Manutenção), calcule o custo estimado de reparo do pilar na fase de utilização
(após 9 anos), partindo do custo de referência na fase de projeto (C0).
Apresente a fórmula, o raciocínio de identificação da fase e o valor calculado
em R$.
Item B — Custo Total do Programa de Manutenção Preventiva (NBR
5.674:2012)
Com base no custo unitário de manutenção preventiva do sistema estrutural (R$
850,00/ano por pavimento) e no número de pavimentos da edificação, calcule o
custo anual total do programa de manutenção do sistema estrutural para toda a
edificação. Em seguida, calcule o custo acumulado desse programa ao longo dos 9
primeiros anos de vida útil (período em que a manutenção não foi realizada no
Residencial Serra Verde). Apresente as memórias de cálculo.
Item C — Análise de Viabilidade Econômica e Verificação Normativa
Utilizando os resultados dos Itens A e B, realize a análise comparativa de
viabilidade econômica: compare o custo de intervenção corretiva (Item A) com o
custo acumulado do programa de manutenção preventiva nos 9 anos (Item B), e
calcule o índice de relação custo-benefício (ICB = Custo corretivo / Custo
preventivo acumulado).
Em seguida, verifique, com base na NBR 5.674:2012, se a ausência de programa de
manutenção preventiva constitui não conformidade normativa e qual o impacto
dessa omissão sobre a garantia de desempenho prevista na NBR 15.575:2021.
Apresente conclusão técnica objetiva.
Item D — Proposta do Programa de Manutenção Preventiva e Conclusão
Técnica
Com base nos resultados dos Itens A, B e C, e nos requisitos da NBR 5.674:2012,
elabore uma proposta sintética do programa de manutenção preventiva para
o Residencial Serra Verde, contemplando:
(I) os sistemas prioritários a serem incluídos no programa (mínimo de três
sistemas construtivos, baseados nas manifestações identificadas no caso);
(II) a periodicidade recomendada para as inspeções do sistema estrutural e do
sistema de impermeabilização;
(III) a necessidade de elaboração e atualização do Manual de Uso, Operação e
Manutenção (NBR 14.037:2011);
(IV) uma conclusão técnica sobre a importância da Engenharia Preventiva para a
extensão da vida útil da edificação, integrando os conceitos dos quatro
capítulos estudados.
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